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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Promoção de igualdade racial

Uma série de seminários sobre igualdade racial vai ter início no Estado. Intitulada “Construindo e Fortalecendo as Políticas de Promoção da Igualdade Racial”. A série foi iniciada em Garanhuns, durante o Festival de Inverno. Ainda estão previstos mais 11 encontros até dezembro, um para cada microrregião do Estado.

O secretário executivo de Promoção da Igualdade Étnico-racial, Jorge Arruda, reuniu cerca de 200 pessoas no hotel Tavares Correia, local do encontro. Entre os participantes, representantes vindos de terreiros de Umbanda, Candomblé e Jurema; comunidades quilombolas, lideranças indígenas e funcionários públicos da Região Agreste, além do Ministério Público. O tema desse primeiro encontro abordou “O Enfrentamento ao Racismo Institucional e a Intolerância religiosa”.

A série de seminários faz parte do programa Pacto Pela Vida. É coordenada pela Assessoria Especial do Governador, em parceria com a Secretaria Executiva de Promoção da Igualdade Étnico-racial - CEPIR e Secretaria Especial de Juventude e Emprego - SEJE. Segundo Arruda, os seminários servem para conscientizar e integrar Pernambuco no debate sobre igualdade racial. Para tanto, os encontros devem passar pelas 12 Microrregiões do Estado até o fim do ano.

Caravana da Saúde, Educação e Cultura divulga roteiro

O ônibus deve passar por 41 universidades nos 26 estados e no Distrito Federal

Nesta segunda-feira (21), a comissão organizadora da Caravana da Saúde, Educação e Cultura da UNE divulgou o roteiro com todas as universidades que serão visitadas e com a programação de debates de cada uma.

A Caravana começa no dia 11 de agosto, data em que se comemora o Dia do Estudante, partindo do Rio de Janeiro (RJ). O lançamento ocorrerá no terreno da UNE e da UBES, na Praia do Flamengo, 132. Durante o evento serão realizadas várias atividades e intervenções culturais.

Seu principal objetivo é realizar, em 41 universidades públicas e privadas nos 26 estados do País e no Distrito Federal, debates sobre saúde, educação e cultura, com foco na realidade da juventude brasileira, além de elaborar propostas para políticas públicas que atuem de maneira mais eficiente nessas áreas. O encerramento acontecerá no dia 27 de novembro, em Brasília (DF).

Confira abaixo o roteiro:

AGOSTO

RIO DE JANEIRO
12 – Terça-feira – UFRJ
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

14 - Quinta-feira - Estácio de Sá
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura.

ESPÍRITO SANTO
18 – Segunda-feira - UFES
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

MINAS GERAIS
20 - Quarta-feira - UFMG
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura.

22 – Sexta-feira - PUC
Manhã - Lei seca, avanço ou retrocesso?
Noite - Saúde, educação e cultura.

SÃO PAULO
26 – Terça-feira - USP
Manhã - Saúde e tolerância: homofobia, lesbofobia, sexismo, racismo.
Noite - Saúde, educação e cultura.

28 – Quinta-feira - UNINOVE
Manhã – UNINOVE - Lei seca, avanço ou retrocesso?
Noite – UNIP - Saúde, educação e cultura.

SETEMBRO

PARANÁ
01 – Segunda-feira – PUC
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura

SANTA CATARINA
03 - Quarta-feira - UFSC
Manhã - Direitos sexuais e reprodutivos e a violência de gênero
Noite - Saúde, educação e cultura.

RIO GRANDE DO SUL
05 – Sexta-feira - UFGRS
Manhã - Lei seca, avanço ou retrocesso?
Noite - Saúde, educação e cultura.

MATO GROSSO DO SUL
09 - Terça-feira - UFMS
Manhã - Saúde e sexualidade
Noite - Saúde, educação e cultura.

MATO GROSSO
11 - Quinta-feira - UFMT
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

RONDÔNIA
16 - Terça-feira - UNIR
Manhã - Saúde e sexualidade
Noite - Saúde, educação e cultura.

ACRE
19 – Sexta-feira - UFAC
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

AMAZONAS
23 - Terça-feira - UEA
Manhã - Saúde e tolerância: homofobia, lesbofobia, sexismo, racismo.
Noite - Saúde, educação e cultura.

RORAIMA
26 - Sexta-feira -UFRR
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura.

AMAPÁ
30 – Terça-feira - UNIFAP
Manhã - Saúde e Sexualidade.
Noite - Saúde, educação e cultura.

OUTUBRO

PARÁ
03- Sexta-feira - UNAMA
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

MARANHÃO
08 - Terça-feira – UFMA
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura

PIAUÍ
10 – Sexta-feira – UFPI
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública
Noite - Saúde, educação e cultura.

CEARÁ
14 - Terça-feira – UFC
Manhã - Violência de gênero e exploração sexual.
Noite - Saúde, educação e cultura.

RIO GRANDE DO NORTE
17/10 – Sexta-feira – UFRN
Manhã - Saúde e sexualidade.
Noite - Saúde, educação e cultura.

PARAÍBA
21 – Terça-feira - UFPB – João Pessoa
Manhã - Lei seca, avanço ou retrocesso?
Noite - Saúde, educação e cultura.

24 – Sexta-feira - UEPB – Campina Grande
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura

PERNAMBUCO
28 – Terça-feira – UNICAP
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

30- Quinta-feira – UFPE
Manhã - Saúde e tolerância: homofobia, lesbofobia, sexismo, racismo.
Noite - Saúde, educação e cultura.

NOVEMBRO

ALAGOAS
03 - Segunda-feira – UFAL
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura.

SERGIPE
05 – Quarta-feira – UFS
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

BAHIA
07 – Sexta-feira – UFBA
Manhã - Saúde e tolerância: homofobia, lesbofobia, sexismo, racismo.
Noite - Saúde, educação e cultura.

11 – Terça-feira - UCSAL
Manhã - Drogas – Legalizar ou não?
Noite - Saúde, educação e cultura.

TOCANTINS
14 – Sexta-feira – UFT
Manhã - Lei seca, avanço ou retrocesso?
Noite - Saúde, educação e cultura.

GOIÁS
18 – Terça-feira – Católica de Goiás
Manhã - Saúde e Sexualidade.
Noite - Saúde, educação e cultura.

20/11 – Terça-feira - UFG
Manhã - Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública.
Noite - Saúde, educação e cultura.

DISTRITO FEDERAL
27/11 - Quinta-feira – UnB - Encerramento
Saúde, educação e cultura



Da Redação

http://www.une.org.br/

Promata entrega certificados de cursos


A Secretaria de Planejamento e Gestão, através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata - Promata, inicia, hoje, nas cidades de Goiana, às 11h, e em Itambé, às 14h, a entrega dos certificados de participação nos cursos de capacitação das Organizações Sociais. O treinamento foi resultado de um convênio firmado entre o Programa e a Escola de Contas Públicas Prof. Barreto Guimarães, ligada ao Tribunal de Contas do Estado. Em seis meses, o Promata e a instituição de ensino capacitaram mais de 3.200 pessoas, nos 43 municípios da Zona da Mata.

O convênio, no valor de R$ 600 mil, é o maior já celebrado pela Escola de Governo para ações de capacitação fora da Região Metropolitana do Recife. Com a parceria, foram treinados integrantes de organizações sociais da Zona da Mata em quatro temas: Como Constituir e Formalizar uma Associação; Fortalecimento dos Conselhos Municipais da Zona da Mata; Elaboração de Projetos e Captação de Recursos; Gestão Financeira e Contábil de Associações. As aulas, concluídas na segunda semana de julho, foram iniciadas em novembro do ano passado. O curso foi ministrado pelos técnicos e auditores do TCE. Até o final de agosto, o Promata entregará todos os certificados dos participantes do treinamento.

Reforma Política: Congresso pode debater matéria neste ano


Por Geraldo Magela da Agência Senado

O presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), defendeu, nesta quarta-feira (23), o início das discussões da reforma política ainda neste ano, e a conclusão em 2009, quando não haverá eleições. Na avaliação do parlamentar, o atual sistema político precisa de alterações, principalmente quanto ao financiamento de campanhas, à fidelidade partidária e ao fortalecimento dos partidos.

Ontem, durante reunião da coordenação política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos ministros da Justiça, Tarso Genro, e das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que priorizem o debate sobre a reforma política após as eleições municipais de outubro. Lula pediu que os ministros conversem com os presidentes da Câmara e do Senado. O objetivo do governo é incluir a reforma na pauta de discussões das duas casas.

"Acho que o Congresso deveria ter uma proposta já votada e isso quase se tornou possível no ano passado. E agora, voltando, é um dever do Congresso discutir profundamente a reforma política para tentar viabilizá-la. O presidente tem razão quando faz este apelo", disse Garibaldi Alves Filho.

Ousadia
O vice-líder do PT deputado Fernando Ferro (PE) concorda que a reforma pode ter alguns pontos votados no segundo semestre, mas não tudo o que, na avaliação do parlamentar, deveria ser deliberado. "Uma reforma política como a que necessitamos, porém, acho muito pouco provável que seja votada, até porque, pela estrutura dos partidos e das bancadas que temos hoje, há uma reação a qualquer avanço nessa área", avaliou Ferro. "Isso nos preocupa porque uma reforma política vai precisar de ousadia, coragem de apostar em coisas novas e de mudanças das estruturas", complementou o vice-líder.

Convergência
Já o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), acredita ser viável a aprovação da reforma ainda neste ano, desde que haja convergência de ações do governo e do Congresso. Segundo José Aníbal, a reforma é um desejo da sociedade. "Ela vai construir a relação entre o eleitor e o eleito", diz. Para ele, o propósito é uma reforma política que mude a natureza do voto, no sentido de dar à representação parlamentar uma proximidade maior com o eleitor. Isso de tal modo que, em uma eleição seguinte, o trabalho do parlamentar possa ser avaliado por esse mesmo eleitor. "Este poderá premiá-lo com a reeleição ou puni-lo, não o reelegendo", explicou José Aníbal.

Sistema viciado
O vice-líder do DEM José Carlos Aleluia (BA) considera o sistema político atual viciado porque, em sua avaliação, privilegia o gasto de dinheiro, a compra de votos e a corrupção. No entanto, Aleluia não considera este o momento adequado para a reforma. Ele defende mudanças de longo prazo, que passem a valer a partir de 2014 ou 2016. "Não sei qual é a reforma que o presidente [Lula] imagina. Se for uma reforma democrática, que não venha com idéia de terceiro mandato, que não venha com a idéia de acabar com a fidelidade, mas para fortalecer o partido e o papel do eleitor, nós queremos fazê-la, embora não seja o ano adequado."

Votações na Câmara
Na Câmara, as discussões em torno da reforma foram retomadas no ano passado. As mudanças no sistema partidário eleitoral previstas no Projeto de Lei 1210/07, do deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), foram rejeitadas pelo Plenário. Várias emendas foram apresentadas, mas nenhuma obteve acordo para votação.

Já o Projeto de Lei Complementar 35/07, do deputado Luciano Castro (PR-RR), que trata de fidelidade partidária, foi aprovado pelos deputados e agora aguarda votação no Senado. Pelo texto, quem trocar de partido fica inelegível por quatro anos. Mas a proposta abre uma janela para a troca de partidos: um ano antes das eleições, o candidato terá prazo de 30 dias para fazer nova filiação.

Conselho anuncia Pacto pela Juventude



Da Agência Brasil






Brasília - O Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) anuncia hoje (22) o lançamento do Pacto pela Juventude, selando seu apoio às resoluções apresentadas pela 1ª Conferência Nacional de Juventude, que ocorreu em Brasília de 27 a 30 de abril deste ano. Será às 10h, no auditório do Anexo 1 do Palácio do Planalto.

A iniciativa tem por objetivo envolver todos os atores governamentais e da sociedade civil para manter acesa a discussão sobre as políticas públicas de juventude, com foco nas prioridades apontadas no encontro. A reunião contará com a presença do secretário nacional de Juventude, Beto Cury.

Justiça condena líderes do MST a pagar R$ 5,2 mi à Vale

O juiz Carlos Henrique Borlido Haddad, da Justiça Federal de Marabá, no sul do Pará, condenou Luis Salomé de França, Eurival Carvalho Martins e Raimundo Benigno Moreira, líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região a pagar R$ 5,2 milhões à empresa Vale. O montante deve ser pago dentro de quinze dias pelo descumprimento de decisão da própria justiça, que proibiu a interdição da ferrovia de Carajás, ocorrida em abril passado.

Na sentença, Haddad afirma que os dirigentes do MST "lideraram diversas pessoas na invasão da estrada de ferro e, por essa razão, devem responder pela totalidade dos danos causados, como também arcar com a multa imposta caso a turbação (perturbação na posse, mas sem suprimi-la por completo) ocorresse". Durante a invasão, os dormentes da ferrovia foram incendiados, cabos de fibra ótica e de energia cortados e trilhos levantados.

O MST havia fechado a ferrovia por duas vezes no decorrer de 2007, impedindo o transporte de minério de ferro do Pará até o porto de Itaqui, no Maranhão. Em fevereiro, a Vale ingressou com ação de interdito proibitório, obtendo liminar. O mérito foi julgado agora com a condenação dos três dirigentes do movimento.

O MST protestou contra a condenação de seus diretores no Pará, anunciando que eles já estão preparando o recurso para evitar o pagamento dos R$ 5,2 milhões. Para o movimento, a sentença do representa a "criminalização" dos movimentos sociais que lutam "contra as injustiças no campo e por um Brasil melhor".

quarta-feira, 23 de julho de 2008

No dia da Chacina da Candelária, manifestação exige aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

Dor e esperança. Alegria e indignação. Esses sentimentos se misturavam no ato público em defesa da vida e na missa dos 15 anos da chacina da Candelária, realizados na manhã dessa quarta-feira, dia 23 de julho, na Igreja da Candelária. O ato seguiu em direção a Câmara dos Vereadores do Rio com o objetivo de reivindicar a efetiva concretização do Estatuto da Criança e do Adolescente, que em 2008 completa 18 anos.A missa teve como marca a emoção. A alegria de cores e rostos infantis na igreja tomada por centenas de crianças de diversos projetos sociais se contrastava com o sofrimento de mães de meninos e meninas vítimas fatais da violência urbana e da brutalidade policial. Mães da Candelária, de Vigário Geral, da Baixada, do Alemão, do Morro do Estado ou da Providência. Todos exigiam que o Estatuto da Criança e do Adolescente fosse aplicado na prática e que o derramamento de sangue das crianças de nosso país tivesse fim.- Na missa de um ano da chacina da Candelária tínhamos o primeiro banco ocupado por mães de crianças vitimadas. Hoje, é triste ver quatro fileiras completas de familiares dessa meninada que teve sua vida levada pela brutalidade humana. Embora nesses anos tenhamos conseguido dar mais visibilidade as leis em defesa da criança, observamos o crescimento vertiginoso do número de crimes contra a infância. Isso é um absurdo! Uma corrida desigual – indigna-se Ana Ribeiro, do Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Niterói.A missa celebrada pelo abade Roberto Lopes, responsável pelo Mosteiro do São Bento, ficou com suas galerias completamente tomadas. Representantes de movimentos sociais também marcaram presença.

- Só quero que acabe a covardia! Nós que moramos na rua vivemos com medo. Temos que dormir em grupo. Uns dormem e outros têm que ficar acordados. Ficamos com medo de sermos agredidos, atacados e até queimados. Só estamos na rua porque não temos um teto, um abrigo. Só queria uma oportunidade para trabalhar e estudar – completa o jovem engraxate Márcio Linhares, de 20 anos, que ao completar a maioridade foi despejado do abrigo em que vivia.A caminhada foi encerrada na Cinelândia, no início da tarde. Mas os movimentos presentes seguem em defesa dos direitos das meninas e meninos brasileiros. Como saldo de reflexão e mobilização da atividade fica a idéia descrita na faixa que abria a passeata: “Estatuto da criança e dos adolescente: queremos na prática!”

Educação profissional terá mais vagas

Acordo assinado ontem entre o governo federal e entidades do Sistema S prevê a ampliação de oferta de vagas gratuitas à população de baixa renda

BRASÍLIA E RECIFE - O ministro da Educação, Fernando Haddad, e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, assinaram ontem um acordo que aumenta o número de vagas gratuitas à educação profissional e tecnológica, nas 11 entidades do Sistema S – Sesc, Sesi, Senai e Senac, entre outras. A previsão é que até 2014, dois terços das vagas dos cursos sejam gratuitas e destinadas à população de baixa renda.
“Não é de hoje que nós jogamos luz a um problema urgente que o país precisa enfrentar, que é o acesso do jovem à educação profissional. Para promover esse acesso, nós concebemos um conjunto de iniciativas, uma vez que um ator só não conseguirá dar conta de toda a demanda social indispensável para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil”, defendeu o ministro da Educação Fernando Haddad.
O presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Jorge Côrte Real, informou que vai reprogramar o plano de ações para se enquadrar nas novas exigências. “Hoje, a gratuidade no Senai chega a 40% das vagas, já estamos relativamente próximos ao determinado no protocolo. Vamos atender às determinações sem prejudicar outras ações já previstas pela instituição”, avaliou. O Senai e Sesi são entidades que integram a Fiepe.
O Sistema S arrecada por ano cerca de R$ 8 bilhões por contribuição compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas. Desses, 1,5% é repassado às entidades responsáveis pelo atendimento social e 1% à aprendizagem profissional. A proposta inicial de mudança feita pelo ministro Fernando Haddad previa, além do aumento da gratuidade das vagas, a inversão desses percentuais. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, chegou a classificar a proposta como uma tentativa encabulada de estatização.
Ontem, Monteiro e Haddad afirmam que chegaram a um acordo que atende às duas partes. “A princípio o que nós estranhamos é que um projeto que claramente intervinha no sistema pudesse ser feito sem um diálogo prévio. Esse protocolo foi construído a partir de uma base de diálogo e de livre convergência. Ou seja, não foi fruto de nenhuma imposição, mas de uma negociação. Ele só foi construído porque houve uma livre adesão das partes. Não foi um triunfo dos empresários, mas do consenso”, afirmou Monteiro. A porcentagem das vagas gratuitas oferecidas pelas entidades deve aumentar gradualmente até atingir 66,6% até 2014. O acordo prevê ainda que dois terços da receita líquida de contribuição compulsória devem ser destinadas às vagas gratuitas.
Os percentuais de recursos destinados ao serviço social e à aprendizagem não foram alteradas, mantém-se em 60% e 40% respectivamente. Mas o novo acordo prevê que um terço dos recursos destinados a serviços sociais pelo Serviço da Indústria (Sesi) e pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) deve ser aplicado em atividades da educação básica e continuada.

terça-feira, 22 de julho de 2008

O que há entre a corrupção e o corrupto?


Por Roberto Efren Filho


A criminalização da esfera política, que faz da política caso de polícia, produz uma desesperança generalizada nos políticos, na legitimidade das instituições inclusive – notadamente quando se quer ver prejudicado algum Governo – mas sem afetar as funções estruturais dessas instituições, no que tange aos interesses do capital.


Alerto, de antemão, que para responder à pergunta que fiz no título deste texto não trarei revelações bombásticas, não apontarei influências, dossiês, tramóias, trambiques de qualquer espécie. Se algum nome vier a ser citado servirá apenas de ilustração, coisa provisória. Aqui, discutirei duas mediações: a do corrupto como personificação da corrupção e a da corrupção como justificação do estabelecido. Creio cumprir assim o meu papel.
Está no Aurélio. Personificar é o mesmo que personalizar, representar por meio de uma pessoa. Tomemos uma pessoa específica, a propósito dos recentes acontecimentos: o corrupto. Representar – e isto também está no Aurélio – é ser a imagem ou a reprodução de. O corrupto parece representar a corrupção. Existe, no entanto, um espaço-tempo entre o que representa e o que é de fato representado. Neste espaço-tempo há uma estrutura cujo desconhecimento pode nos levar ao aprisionamento da busca eterna pelo vilão, quando o que nos prende realmente é o conto de fadas.

Tomemos “Daniel Dantas”, o vilão da vez, como exemplo para o que pretendo demonstrar. O “caso Dantas” sugere níveis sofisticados de articulação dentro e fora do Estado. As denúncias que o envolvem, arrastam com ele de assessores do Executivo a membros do Supremo Tribunal Federal. Uma leitura crítica acerca das correlações fáticas existentes no “caso” poderia nos guiar a conclusões acerca dos porquês estruturais da corrupção. Não é essa leitura, entretanto, a que se multiplica midiaticamente. Nos meios de comunicação, a feitura da hegemonia implica na cristalização da figura do corrupto. É como se ele não viesse de canto algum, como se suas relações com o mundo inexistissem. O corrupto personifica a corrupção, como seria numa representação, mas a corrupção mesma é reduzida a uma ou outra pessoa corrupta, sem comprometer substancialmente instituições.

O vilão é desonesto, inescrupuloso, imoral. Vejamos o lócus ocupado pelo presidente do Supremo nessas discussões. Gilmar Mendes é o centro, e não o STF ou o Judiciário, tanto que a revista Veja, na mesma edição em que trazia Dantas como capa, não tardou em convocar outro membro do próprio Judiciário, Carlos Ayres Britto, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para que ele explanasse em páginas amarelas suas opiniões acerca da política, dos políticos e da democracia. Coincidência? A personificação nos leva à falsa crença de que a corrupção se define como o conjunto dos corruptos. Daí a cristalização da pessoa, da personagem, do vilão. Todo o aparato institucional que ergue “os vilões” é posto à sombra, engendrando a idéia de que a eliminação dos corruptos seria suficiente para a eliminação da corrupção.

A personificação da corrupção opera uma naturalização da imoralidade no corrupto. “É ele o culpado”. “Se ele não se vendesse, não se corrompesse, as coisas seriam diferentes”. Mesmo a famosa citação do “todo político é ladrão” não vai além da pessoa do político/ladrão. O desvio na honestidade, na hombridade é do político, uma característica atribuída ao indivíduo. O sistema no qual “o poder corrompe” resta, de costume, intocado. Em qualquer possibilidade de ameaça ao sistema, alguma personagem é jogada aos leões, como acontece com o “vilão da vez” supracitado. Acreditar que sua exposição pode significar um efetivo ganho contra a corrupção é um ingênuo equívoco.

Paralelamente à sua personificação, a corrupção projeta – como crime que é – a criminalização da esfera política. São dois diferentes momentos, reciprocamente determinados. A criminalização da esfera política, que faz da política caso de polícia, produz uma desesperança generalizada nos políticos, na legitimidade das instituições inclusive – notadamente quando se quer ver prejudicado algum Governo – mas sem afetar realmente as funções estruturais dessas instituições, por conta da personificação, no que tange aos interesses do capital.

O modo de produção capitalista mantém com o Estado uma simbiose própria. Em certas conjunturas, essa relação oferece uma Administração Pública ilibada às aparências. Noutras, como é o caso de nosso país, estratégico é confundir a figura do político com a do bandido. Num ou noutro modo, as determinações entre a economia e o Estado procuram canais de justificação. No Brasil, a corrupção tem ocupado essa função histórica. Aqui as causas da desigualdade, por exemplo, não parecem estar vinculadas ao capital: “o problema está na impunidade, nesse bando de corruptos”.

Dessa forma, não é de surpreender que os últimos heróis nacionais sejam justamente delegados da Polícia Federal. A luta não é contra a impunidade e pela caça aos corruptos? Corruptos não são ladrões? Os perigos de glorificar o papel da polícia como solucionadora dos conflitos sociais, no entanto, são latentes. A fé na Polícia Federal não está muito distante enquanto fato sociológico da fé no BOPE, por exemplo. Ambas apostam na punição e na personificação, ambas legitimam a coerção estatal.

Não quero dizer com isso que as pessoas dos delegados em questão sejam equiparáveis a um Capitão Nascimento. Não, de jeito algum. Fizeste isso, estaria eu sacrificando todos os meus argumentos acerca da personificação, caindo nela. Quero dizer que apesar das boas intenções e do grande trabalho de delegados e da polícia, a fé atualmente disseminada na polícia se coaduna com uma estrutura social que centraliza as atenções na criminalização e afasta os seus porquês estruturais do debate.

Interessante notar ainda que essa fé na Polícia Federal é mesclada no senso-comum com a ojeriza crescente nas metrópoles às polícias estaduais “assassinas de crianças”. Se essas polícias se limitassem a matar bandidos, parece-me que grandes problemas não haveria para esse mesmo senso-comum.

A corrupção como justificação do estabelecido é o nosso conto de fadas. Se a personificação cristaliza a corrupção nas personagens dos políticos, essa corrupção personificada vem servir de respaldo para que a realidade pareça intransponível, ou apenas mutável a partir da punição dos culpados, dos “vilões”, levada a cabo por um aparelho coercitivo.

A hegemonia, através das estratégias acima abordadas, não nos permite que nos perguntemos qual é a relação entre a corrupção e o latifúndio, entre a corrupção e a propriedade privada, entre a corrupção e, como diria Vinícius de Moraes, “o lucro do patrão” e a “mão do operário”. Perguntas desse tipo, bem mais do que a que fiz no título deste texto, colocariam em xeque não a corrupção – justificação fabricante de consensos – mas todo o complexo estrutural que a sustenta no que concerne aos interesses do capital. O espaço-tempo aqui é o do horizonte de nossos questionamentos enquanto contra-hegemonia. É mais do que hora de nos convencermos de que a ilusão do combate aos vilões deve ser transmutada na luta pelo desvelamento direto do conto de fadas. Talvez assim criemos nossas próprias asas.

Pacto quer garantir direitos da juventude negra

Da Agência Brasil
O Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) lançou hoje (22) oPacto pela Juventude. O texto contém 70 resoluções de Políticas Públicaspara a juventude, sendo 22 prioritárias. Dentre as propostas principaisestão a garantia e a visibilidade dos direitos dos negros, a ampliação dosinvestimentos na educação e a prática de esporte e da cultura comofundamentais para o desenvolvimento dos jovens.De acordo com o presidente do Conjuve, Danilo Moreira, há mais de 50milhões de jovens na faixa etária de 15 a 29 anos no Brasil, e a atençãoaos negros é fundamental para resolver outros problemas, além dopreconceito. “A maioria dos jovens que sofrem violência nas grandesperiferias são negros. Eles são vítimas por causa de questões sociais,econômicas e raciais”, destacou o representante do Conjuve, em entrevistaao programa Revista Brasil da Rádio Nacional.O presidente do Conselho Nacional de Juventude explicou que o acordo é umcompromisso público para transformar em realidade as deliberações da 1ªConferência Nacional pela Juventude, ocorrida em abril, em Brasília.Segundo Moreira, a partir de 12 de agosto, Dia Nacional da Juventude, oconselho fará uma caravana nacional para defender os direitos da juventudee apresentar as resoluções do Pacto pela Juventude.

Cuba utilizará Internet fornecida pela Venezuela

Após liberar a entrada de aparelhos celulares e PCs nas casas de seus habitantes, Cuba se rende à rede mundial de computadores importando o serviço do vizinho sul-americano.

Segundo o jornal The Inquirer, os dois países fizeram um acordo secreto em 2006 para construir a rede de fibra óptica que levaria a Internet à ilha. A previsão é de que o serviço esteja disponível em 2010.
A rede de fibra deve ter, dentro do território cubano, cerca de 1,5 mil quilômetros de extensão. Isso é mais de 10 vezes o que seria necessário para ligar o país ao estado americano da Flórida: apenas 120 quilômetros. O serviço também deverá atender a outros países próximos como Jamaica, Haiti e Trinidad e Tobago, ligando-os ao provedor em La Guaira.
A construção da rede está a cargo da venezuelana CVG Telecom (Corporación Venezolana de Guyana), diz o site Slashdot, em parceria com a cubana ETC (Empresa de Telecomunicaciones de Cuba).
Embora os celulares e outros eletrônicos tenham sido apenas recentemente aceitos na ilha, é comum ver pessoas os utilizando nas ruas, assim como PCs com acesso à Internet estão disponíveis nos hotéis, apesar da baixa velocidade de conexão.

VOTO JOVEM É RECORDE PARA ELEIÇÕES GERAIS






Segundo o TSE, serão mais de 3 milhões de eleitores com 16 e 17 anos, quase um milhão a mais do que no pleito de 2002
O número de jovens com 16 e 17 anos que tirou título eleitoral para esta eleição geral é recorde. Segundo estatística do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serão mais de 3 milhões de eleitores nesta faixa etária, quase um milhão a mais do que no pleito de 2002.
O número total de eleitores subiu 10% - de 115 milhões, em 2002, para quase 126 milhões este ano. Já o número de eleitores com menos de 18 anos pulou de 2,2 milhões para 3,2 milhões: um aumento de 45%.
O voto aos 16 anos não é obrigatório e foi permitido a partir da Constituição de 1988. A quantidade de jovens que tiram o título tem variado de um ano para outro. No pleito geral de 1994, por exemplo, 31% dos jovens menores de idade tiraram o título de eleitor. Já nas eleições de 1998, o número caiu para 26%, voltando a subir em 2002, quando novamente atingiu 31%, até chegar aos atuais 43%.
“Isto reflete o engajamento da juventude no processo político eleitoral, mas com uma visão estratégica, para defender objetivos concretos, como busca por emprego e contra a violência”, considera o cientista político Antônio Testa, da Universidade de Brasília (UnB).
O professor da UnB diz que para atingir estes eleitores, os partidos terão de usar linguagem e canais de comunicação diferentes dos habituais “Ao contrário do que muitos dizem, eles não são alienados. São multimídia e desenvolvem um tipo de conhecimento menos profundo, porém mais abrangente. Já dão opinião sobre tudo e têm a capacidade de disseminar as informações em uma velocidade muito grande, usando sites de relacionamento”, afirmou Testa.
Para o cientista político, os partidos terão de se reestruturar para atingir o jovem eleitor. “Os partidos terão de atender essas demandas, sob pena de perder estes eleitores, que passam a ser decisivos. São minorias que ganham voz ativa e podem desequilibrar o jogo”. “Resta saber se esses jovens, além de votar, também vão acompanhar o candidato eleito. Será que vão construir uma nova cidadania multimídia?”, completa.
Ainda de acordo com os números do TSE, o percentual de jovens eleitores varia segundo o tipo de eleição. Nos pleitos municipais, o índice de participação de menores de idade é sempre maior do que nas eleições estaduais e para presidente da República. Nas quatro eleições municipais realizadas desde 1992, a média percentual de jovens nesta faixa com título é de 45%, contra uma média de 33% nas quatro eleições gerais, incluindo a deste ano.
O ponto máximo foi atingido nas eleições municipais de 2004, quando 51% dos jovens entre 16 e 17 anos tinham título. O ponto mínimo corresponde às eleições gerais de 1998, quando apensa 26% estava apto a votar.
Em termos regionais, o nordeste aparece sempre acima da região Sudeste e da média nacional em termos de participação de eleitores menores de idade. A média percentual dos aptos a votar em relação ao universo de jovens na região, em todas as eleições, a partir de 1992, é de 46%. Já no Sudeste, o índice é de 32%, enquanto que no país, a média é de 40%.

Energia própria



A capacidade de mobilização dos jovens pode ser posta a serviço da aprendizagem

Por Karina Yamamoto


Envolver o aluno no processo da aprendizagem – essa é uma das tarefas mais complexas atribuídas aos professores. Algumas situações podem ser mais favoráveis – por exemplo, quando os estudantes percebem a necessidade de se preparar para o competitivo mundo do trabalho, ou, ainda, quando a curiosidade pelo novo está aguçada. Ambas são situações vividas pelos jovens do ensino médio. No entanto, o cenário da educação não é tão animador. A comparação entre a taxa de matrícula no ensino fundamental e no ensino médio revela um verdadeiro fosso. Enquanto a taxa de matrícula no ensino fundamental é de 95% entre crianças de 7 e 14 anos que estão cursando a etapa adequada de escolarização (PNAD 2006), apenas 48,2% dos jovens entre 15 e 17 anos estão matriculados no ensino médio. Isso significa que 51,8% estão fora da escola, ou atrasados, ainda cursando o ensino fundamental. A conclusão é que uma parcela significativa dos jovens, embora esteja estudando, enfrenta o problema da defasagem escolar.

Dos que chegam ao ensino médio, estima-se que 15% deixem os bancos escolares sem completá-lo, seja pela necessidade de trabalhar, seja por falta de interesse em estudar, segundo dados do Censo Escolar 2006, o último levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Para agravar o quadro, há uma percepção generalizada dos professores de que os alunos que permanecem em sala não se interessam muito pelo que podem aprender ali.

Pode-se imaginar que essa atitude indiferente corresponda a uma forma geral de ser da juventude contemporânea, que muitos consideram alienada e desinteressada do que quer que esteja além do seu próprio umbigo. Outro engano. A pesquisa Adolescentes e Jovens do Brasil: Participação Social e Política, realizada pela Unicef, em parceria com os institutos Itaú Social e Ayrton Senna, indica que a juventude brasileira está atenta à realidade, tem uma visão crítica do País, demonstra uma forte preocupação com questões coletivas, muito mais do que com problemas individuais, e está aberta para colaborar na busca de soluções.

É um enorme potencial, quase nunca posto a serviço da educação. E quem trabalha com jovens sabe: uma vez que eles se empolguem com um projeto, a energia que dispendem é impressionante. Por isso mesmo, há quem veja nesta combinação – potencial mobilizador e educação – um binômio indispensável para o desenvolvimento dos jovens. Compreender as bases da motivação juvenil, desde seus componentes fisiológicos até o modo como ele vivencia a realidade que o envolve, é o ponto de partida. A estratégia adequada para que os conteúdos pedagógicos fiquem mais atraentes é uma descoberta a ser feita em conjunto.

“Já acompanhei muitos trabalhos e não acredito que exista uma única receita”, diz a educadora Kátia Regina Roseiro Coutinho, professora de Psicologia da Educação da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Assis, SP. “Mas há duas características sempre presentes: professor entusiasmado e preocupação não apenas com o estudante, mas também com o contexto em que vive.”

“Cada jovem é um laboratório de soluções. Precisamos desmontar a zona de conflito que se cria quando o jovem é visto como parte do problema”, afirma Simone André, coordenadora da área de Juventude do Instituto Ayrton Senna, que desenvolve o SuperAção Jovem, exemplo bem-sucedido da combinação mobilização-educação. O projeto acontece nas escolas, onde os grupos de estudantes – com cerca de dez integrantes – se reúnem nos fins de semana com educadores preparados para tal tarefa e propõem, executam e avaliam projetos de melhoria da sua própria educação.

A proposta é inaugurar uma nova pedagogia de trabalho com a juventude, em que a participação dos rapazes e moças seja autêntica e em que eles possam encontrar soluções criativas e concretas para melhorar sua aprendizagem, sua escola e sua comunidade. Para Simone, o grande desafio da educação formal é preparar o cidadão do século 21 – um indivíduo crítico e solucionador de problemas. E, para aprender, eles têm de colocar a mão na massa, sempre refletindo sobre a prática. “É preciso permitir que eles errem, inclusive”, diz a educadora. “Devemos colocar o mundo nas mãos dos jovens enquanto ainda podemos ensinar sobre os acertos.”
Motivação x tédio

Para começar, quem trabalha com jovens precisa ter em mente as transformações pelas quais eles estão passando. É justamente nesse período da vida que a ânsia pelo novo toma conta dos pensamentos – é a Natureza chamando-os para a vida adulta. Em termos fisiológicos, o processo pode ser explicado pelo embotamento do sistema de recompensa do cérebro – que é um “conjunto de estruturas que nos premiam com uma sensação de prazer e nos fazem querer mais de tudo o que é bom ou dá certo”, explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel no livro “O Cérebro em Transformação” (Editora Objetiva).

Nessa fase, os antigos prazeres, como jogar bola ou brincar de correr, não são mais suficientes para ativar essa área, que tem como principais jogadores duas regiões do cérebro – a área tegmentar ventral e o núcleo acumbente, ambas localizadas no terreno central do órgão. A primeira recebe informações dos sentidos sobre o que está acontecendo com o corpo, e do córtex pré-frontal (que fica bem atrás da testa), as intenções que guiaram esse comportamento. Se a avaliação é de que “sim, o que acaba de acontecer é interessante!”, a área tegmentar central derrama dopamina sobre o núcleo acumbente. A sensação de bem-estar que decorre dessa situação pode vir tanto da quantidade de dopamina, uma substância responsável pela comunicação entre neurônios, quanto pela atividade do núcleo acumbente.

Mas, justamente nessa fase da vida, os seres humanos sofrem uma baixa das substâncias químicas cerebrais que recebem a dopamina. Durante a adolescência, o núcleo acumbente perde um terço dos seus receptores. Ou seja, é preciso produzir um estímulo muito mais gratificante – para que se despejem quantidades generosas de dopamina –, para conseguir um resultado, que em termos de bem-estar e prazer ainda é menos intenso do que as brincadeiras de pega-pega das crianças. Por isso, os jovens valorizam tanto as novidades – uma vez que os antigos estímulos não surtem mais efeito, o cérebro procura nas novas situações outras possibilidades de satisfação.

Existe aí, então, uma pista para trazer a juventude para perto dos projetos pedagógicos – oferecer novas oportunidades de aprendizado.
Bom clima escolar

Apesar de as peculiaridades cerebrais ajudarem na compreensão do tédio adolescente, uma análise fisiológica não explica tudo. O ambiente escolar influencia bastante no engajamento dos estudantes no projeto pedagógico. “E, hoje, a escola pública tem tido dificuldades de se adaptar às mudanças que a internet e outras tecnologias trouxeram para a vida do jovem”, analisa Kátia Coutinho, da UNESP. Para ela, houve um distanciamento entre o que a escola traz e os estabelecimentos tipo lan house oferecem que precisa ser revertido.

Mas, segundo Kátia, não é apenas uma questão de o ensino se modernizar. É preciso resgatar o vínculo entre mestres e pupilos. Se o aluno não se sente minimamente à vontade, ele não vai perguntar, não vai tirar suas dúvidas. De fato, segundo relatório do Banco Mundial sobre educação, “ressalta-se que, mais que a diversidade da composição da escola ou de uma sala de aula, seria o clima escolar desses espaços – se cooperativo, competitivo ou mesmo hostil – o fator que mais colaboraria para a motivação e o desempenho escolar”.

Mas como criar esse ambiente favorável? “Há muitas estratégias – alguns professores usam apenas lousa e giz. O que é preciso mesmo é possibilitar o aprendizado. Como diz a psicopedagoga argentina Alicia Fernandez, não aprende quem não quer aprender, e aí voltamos à relação aluno e professor, porque este deveria ser o disparador da condição de aprender”, diz Kátia.

No mesmo relatório, o Banco Mundial chama a atenção ainda para as capacidades a serem desenvolvidas dentro do contexto escolar. E a principal habilidade é saber tomar as melhores decisões – o que significa capacitá-los para, inclusive, optar por boas oportunidades de aprendizagem.

Os esforços do SuperAção Jovem – que atinge quase um milhão de estudantes em São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal – estão em sintonia com essas premissas, como mostram os resultados do seu projeto de leitura. “Trabalhamos a leitura em quatro dimensões: para ser, para conviver, para aprender e para produzir”, explica Simone André. Com essa ferramenta – a capacidade de adquirir informações e articulá-las –, o jovem adquire espírito crítico.

Assim, o projeto se iniciou com uma pesquisa com 133.143 jovens sobre leitura e participação na escola. A maioria deles afirmou que não escolhe livremente os livros que lê, não costuma ler no tempo livre, não freqüenta a biblioteca. Depois do diagnóstico, esses mesmo jovens se organizaram e propuseram projetos para reverter essa situação. Eles conseguiram mobilizar 23.292 professores para conhecê-los melhor como leitores e apresentarem os resultados da pesquisa. E quase 50% desse grupo docente se engajou em projetos efetivos para melhorar a leitura nas escolas. “Quando digo que é possível, falo de uma posição que é de quem tem o otimismo da prática”, conclui Simone André.

Ler original em http://www.ondajovem.com.br/materiadet.asp?idtexto=342

Elo frágil





Entre a universalização do ensino fundamental e a elite do nível superior, o ensino médio se fragiliza no atendimento à juventude

Por Aydano André Motta


Os desafios da educação pública no Brasil estão chegando a novos patamares. Depois dos esforços para a universalização do ensino fundamental, da primeira à nona série, resta ainda sua necessária qualificação, mas é hora também de adequar às novas demandas o ensino médio. À espera, sentados nas carteiras às vezes literalmente pequenas para seu tamanho, estão mais de 8 milhões de jovens, que duelam com adversários variados para sustentar o interesse e a freqüência na sala de aula. Sem esquecer os jovens que nem mesmo encaram o duelo, deixando a escola ainda nas séries finais do ensino fundamental, baixando as taxas de matrícula no nível médio, nos anos mais recentes.

O despreparo das redes públicas para atender a uma demanda que mais do que dobrou ao longo da década de 1990, com a afluência de estudantes muito pouco qualificados, além de uma histórica dificuldade da sociedade brasileira para determinar suas finalidades, contribuíram para transformar o ensino médio “no elo mais frágil da educação”, conforme declarou, em março passado, o ministro da Educação, Fernando Haddad. Fortalecê-lo é um desafio de todos: da sociedade; do governo federal, que determina suas diretrizes; dos governos estaduais, que o gerenciam, e dos educadores, que o implementam diretamente nas salas de aula.
Abrindo horizontes

No âmbito federal, alguns programas vêm ajudando a encurtar o caminho até a universidade, olimpo reservado à elite dos colégios particulares, hoje um pouco mais próximo dos estudantes da rede pública por meio de ações como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio, proposta para substituir o vestibular, mas ainda longe disso), o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).

Ainda há muito por fazer, além de abrir horizontes – e o ensino médio segue como tijolo mais fraco da obra em execução permanente. O ministro da Educação defende um maior envolvimento da União no problema, com a federalização de uma parte maior do que o atual 1% das matrículas. “Nosso objetivo é chegar a alguma coisa entre 8% e 10% das matrículas”, declarou ele, em março deste ano. “Se tivermos um instituto federal em cada microrregião, não precisaremos federalizar 100%. Poderemos ter uma rede bastante robusta, para vertebrar o ensino médio nos estados, que precisam de apoio técnico, mais do que financeiro”.

Para o ministro que enxerga no nível médio o elo mais frágil do setor no Brasil, com indicadores de qualidade que pioram desde 1995, “a escola que temos é melhor do que sair da escola, mas nossas unidades de ensino, como estão organizadas, ainda fazem pouca diferença na vida dos alunos. Há apenas três anos, os alunos não contavam nem com livro didático”, diz ele, defensor também da inclusão de jovens de 16 e 17 anos no programa Bolsa Família.

Haddad observa que, apesar da grande expansão conseqüente ao Reuni, apenas um sexto dos adolescentes chegará à universidade. “Logo, se o jovem não sair do ensino médio preparado para o mercado de trabalho, terá pouco interesse de continuar indo às aulas”, analisa.
Na lanterna

Uma olhada nos resultados do Enem – transformado no principal aferidor do desempenho dos estudantes de ensino médio brasileiro, embora careça de maior uniformização nacional, já que suas provas são opcionais – revela a contundente desigualdade que domina o próprio setor público. Os alunos das redes convencionais amargam médias baixíssimas, enquanto os da elite das escolas técnicas, federais e estaduais, superam até os dos colégios particulares no desempenho.

Na vida real das escolas estaduais convencionais, a realidade se apresenta bem mais difícil. Por isso a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a professora Maria Auxiliadora Resende, secretária de Educação de Tocantins, defende a gestão centrada no ensino médio, para combater suas deficiências e necessidades com mais força. “O grande drama dos meninos e meninas é a perspectiva de emprego, o que cria um duplo desafio: dar a eles horizonte e melhorar a qualidade do ensino”, analisa ela, responsável por 548 escolas e 23 mil professores em toda a rede, que tem 80 mil alunos no ensino médio. “Na questão do emprego, temos um programa de monitoria remunerada, com bolsa de R$ 150 mensais para 10 mil jovens, e investimos em grêmios estudantis e rádios comunitárias”. Em seis anos, a evasão escolar no estado caiu de 28% para 6%.

Muitos estados têm investido em planos específicos para o fortalecimento do ensino médio. Em Pernambuco, por exemplo, o Procentro – Programa de Desenvolvimento dos Centros de Estudo Experimental oferece aos jovens escola em tempo integral, em razão de parcerias locais. Estados como Acre, Paraná e Minas Gerais também atuam na reorganização e consolidação de suas redes médias. Em São Paulo, o projeto Faz Escola estabelece guias curriculares específicos para o ensino médio, buscando influir diretamente sobre os conteúdos ministrados em sala de aula.

Mas a luta em todo o País continua. “Nem o Bolsa Família reprimirá o abandono”, diz a presidente do Consed. “O jovem enfrenta, no ensino médio, o atraso escolar. Há uma demanda por tecnologia difícil de ser atendida”. Aumenta o desafio para os professores, que precisam manter-se atualizados, diante de alunos que muitas vezes sabem mais, especialmente em temas como Informática. “Eles freqüentam ‘lan houses’ e aprendem sozinhos a montar sites, por exemplo. O desafio é modificar a escola para atendê-los. O professor clássico, o da aula de giz e cuspe, é chato!”, diz.

Há sete anos no cargo, Maria Auxiliadora critica ainda a pouca efetividade do Enem como substituto ou mesmo complemento ao desempenho dos alunos no vestibular – “Não é uma realidade em todo o Brasil”. Sobre o Prouni, ela defende que, “para ser significativo, tem de ter mais vagas e mais instituições envolvidas”. “No meu estado são apenas 200 bolsas. Fica difícil para o aluno acreditar no programa, tê-lo como incentivo para ir à escola todo dia, se não conhece nenhum beneficiado. Ele precisa de um exemplo para se mirar”. No âmbito estadual, Tocantins oferece 5 mil bolsas de ensino superior aos estudantes da rede pública.
Estratégia etária

Carlos Artexes Simões, diretor de Desenvolvimento Educacional do Ministério da Educação, aponta uma conjunção de fatores para explicar as mazelas do ensino médio: esgotamento de uma massificação da educação básica, sem o devido cuidado com o efetivo aprendizado do estudante; mudança de estratégia de um grande número de jovens em relação à escolarização; e falta de significado da proposta curricular para quem procura a escola. “Persiste ainda a necessidade do trabalho na faixa etária do ensino médio. A gravidez precoce é significativa nas mulheres que estão fora da escola: atinge 28% das jovens na faixa etária de 15 a 17 anos que deixaram de estudar. São fatores que não podem ser desconsiderados”.

Mas, para ele, a questão do não-aprendizado, em um cenário de crescente complexidade social, é uma das maiores causas da redução das matrículas. “Temos de fazer uma inversão nas políticas públicas: investir na qualidade e na aprendizagem para promover a universalização do acesso e permanência no ensino médio. A qualidade vai definir o avanço na quantidade de matrículas”, prevê.

Do outro lado da sala de aula, o sentimento é o mesmo. Presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, Ismael Cardoso detecta uma melhoria na qualidade do ensino, mas em ritmo lento demais. Ele cita o incentivo ao transporte escolar e a distribuição de livros didáticos – obrigatória –, pelo Plano de Desenvolvimento da Educação, lançado pelo Ministério da Educação – como progressos interessantes. Também saúda o Prouni e o Enem por combaterem a falta de horizonte, mas reivindica mais vagas nas universidades públicas. “Se entender que tem mais possibilidades, o aluno vai se dedicar mais”, argumenta.

Ismael lamenta ainda a falta de incentivo ao investimento em tecnologia, mas espera que a educação não acentue, em nome de aumentar as chances de emprego, um perfil tecnicista, abrindo mão de formar o cidadão por inteiro. Daí, sua defesa do que define como “estágio saudável”, sem prejuízo ao ensino. “O governo precisa incentivar, impor regras claras e fiscalizar a aplicação de recursos e programas”, diz o estudante. Abrir horizontes profissionais e garantir o aprendizado em toda a sua plenitude – um dilema que mobiliza todos os interessados num país com educação de qualidade.
Esforços premiados

Aqui e ali, pipocam exemplos de que, mesmo sem o abrigo seguro das verbas federais, nem o guarda-chuva da ligação com a universidade, que distingue as escolas técnicas, há o que fazer, como evoluir. A Paraíba tem exemplos a oferecer. Há três anos, o estado ganha o Prêmio Ciências do Ensino Médio, promovido pelo Ministério da Educação para estimular práticas de investigação científica na rede pública, destacando iniciativas e experiências inovadoras e bem-sucedidas que ajudam na formação científica dos alunos, nas diferentes áreas do conhecimento (Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens). Em 2005, venceu a Escola Monsenhor Vicente Freitas, de Pombal; em 2006, foi a Peonas da Cunha Cavalcanti, de Jurupiranga; no ano passado, ganhou a Escola Professor Lordão, de Picuí.

Funcionando em três turnos, com 40 professores qualificados e 888 alunos (770 no ensino médio), a campeã de 2007 apresentou o programa Repensando Picuí, projeto pedagógico que tratou da história da região onde está localizada a cidade, no interior do estado. Há outras iniciativas bem-sucedidas, como o Xadrez na Escola, que leva a comunidade a freqüentar a unidade nos fins de semana; o cursinho pré-vestibular que, atrelado ao Prouni, garantiu a aprovação de 28 alunos em 2007; e olimpíadas de Matemática e Língua Portuguesa.

A Professor Lordão também possui kit tecnológico, com TV, vídeo, DVD e aparelhagem de som, e laboratório de Informática, com 10 computadores. Mas ainda faltam espaços semelhantes para os estudos de Química, Biologia e Física. “Como estamos numa cidade pequena, parte dos alunos tem uma ocupação além dos estudos. Assim, direcionamos para estágios nas poucas empresas que atuam no município, a exemplo do Banco do Brasil”, explica a professora Adriana Mary de Carvalho Azevedo, ex-aluna e hoje diretora da escola. Jamais por acaso, os 40,42 alcançados pela Professor Lordão no Enem ficaram acima da média do estado (37,92) e do País (39,76). A evasão escolar caiu de 21%, em 2004, para 11%, em 2006.

Também no Nordeste, o Liceu de Maracanaú, cidade de 200 mil habitantes na Grande Fortaleza, promoveu uma pequena revolução em 2005, ao alterar o regime de aulas de trimestral para semestral – mas numa divisão por disciplina. Na primeira metade do ano letivo, Matemática, Física, Química e Biologia; na segunda, Português, História, Geografia, Inglês e Filosofia. Foi um choque no primeiro momento, com grande resistência dos professores, relembra o diretor da escola, Plácido José Souza Cavalcanti. “Houve uma concentração na carga horária. Os professores passaram a ficar mais tempo com os alunos e, por isso, precisaram de uma preparação melhor”, conta ele.

Com 1.500 estudantes, todos no ensino médio, o Liceu apresenta resultados interessantes, no bojo da mudança. A evasão escolar está em 4,5%, menos da metade dos 12% do Ceará. A média no Enem é das mais altas da rede pública estadual: 4,6. “Mas não ficamos orgulhosos, queremos ultrapassar o 5”, projeta Cavalcanti.
O Liceu venceu o Prêmio Escola Destaque, dado pelo governo do estado, em 2007, e o Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar, do Consed, Unesco e Fundação Roberto Marinho. Além disso, Cavalcanti recebeu, em Puebla, no México, a titulação de referência internacional em Ciências. “Nossos projetos privilegiam o ensino e a pesquisa, mas sem perder o foco na questão do emprego. Temos 100 alunos num projeto de estágio com a prefeitura de Maracanaú”, contabiliza ele. “Existe, entre os alunos, a angústia de começar a trabalhar”, constata, “o que leva muitos a escolher o Liceu. Mas os que têm a felicidade de não precisar, são incentivados a se concentrar nos estudos”.

A obra prossegue para dar mais firmeza ao tijolo, ainda vacilante, chamado ensino médio. “As verbas aumentaram, a reformulação educacional atingiu o setor e sinalizou um envolvimento maior do governo federal”, aponta Daniel Iliescu, presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio, com uma conclusão que resume, não a Educação, mas o Brasil: “Mas falta mais perspectiva e esperança para as camadas mais pobres da população. Esta é a grande batalha”, inserida na construção de uma educação mais sólida.

Ler original em http://www.ondajovem.com.br/materiadet.asp?idtexto=344

Cristina Kirchner formaliza estatização das Aerolíneas Argentinas


Por MAX SEITZ
da BBC Mundo, em Buenos Aires

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, anunciou oficialmente que voltou a estatizar a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, e enviou ao Congresso projeto de lei para formalizar a operação.

O governo argentino firmou acordo com o grupo espanhol Marsans, que era acionista majoritário da empresa.

A Argentina retomou, assim, o controle de sua companhia aérea para sanear suas finanças e oferecê-la ao capital privado em um prazo ainda não estabelecido. O negócio inclui ainda a aquisição da subsidiária Austral, que opera vôos domésticos.

"Preferiria que quem adquiriu a empresa tivesse tido uma gestão bem sucedida. Mas na verdade o Estado tomou esta decisão para poder garantir o serviço e a subsistência da nossa companhia aérea", afirmou Fernández em mensagem transmitida em cadeia nacional de televisão.

A presidente disse que a primeira vez que viajou de avião foi pelas Aerolíneas Argentinas e que o serviço "podia ser comparado ao das melhoras do mundo".

"Mas logo sucumbiu ante a onda privatizante que sacudiu a América Latina a partir do consenso de Washington", acrescentou.

Mesmo assim, Kirchner não descartou a incorporação de capitais privados no futuro, por meio de uma licitação.

A presidente explicou ainda que a retomada da empresa pelo Estado "exige também a participação ativa do Congresso".

É que o legislativo deve aprovar a transação pois a lei que permitiu sua privatização, em meados da década de 90, impede que ela volte para o Estado.

Situação crítica

Kirchner e o grupo Marsans designarão auditores que deverão, nos próximos dois meses, determinar o valor de compra da Aerolíneas Argentinas, cuja situação financeira e operacional são críticas.

A companhia, que tem 9 mil funcionários, está atrasando o pagamento de salários, e acumula uma dívida de US$ 890 milhões. Mais da metade de sua frota também não está em condições de vôo.

Nos últimos meses, passageiros vinham se queixando de atraso nos vôos da companhia.

Os sindicatos pediram uma intervenção nas Aerolíneas Argentinas.

Há dez dias, o Estado argentino anunciou que desembolsaria US$ 50 milhões não apenas para o pagamento de salários, mas também para comprar peças para alguns aviões avariados.

A empresa havia sido criada em 1950 pelo presidente argentino, Juan Perón. Privatizada em 1991, ela foi comprada pela empresa espanhola Iberia por US$ 560 milhões.

Até chegar às mãos do Marsans, a empresa foi dirigida pela American Airlines e pela Sociedad Estatal de Participaciones Industriales (Sepi), da Espanha.

Várias empresas voltaram às mãos do Estado argentino nos últimos anos: os Correios em 2005 e a companhia fornecedora de água, em 2006.

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