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domingo, 10 de agosto de 2008

Somos lixo, somos cúmplices


Texto retirado do http://www.bravus.net/

Se seu vizinho rico disser: comprei um carro zero e te dou minha velha bmw, mas a partir de hoje passo a jogar todo o meu lixo no seu quintal, o que você faria?

Parece estranho né? Mas nada tão grave, podemos recolher o lixo e deixar para o caminhão da prefeitura recolher mas… imagine isso em proporções muito maiores.

É isso o que ocorre em países da Africa, quando uma tecnologia é ultrapassada e torna-se obsoleta, países em desenvolvimento entram no jogo para comprar essa tecnologia superada, só que muitas vezes, o comprador de “bens usados” da Europa, Ásia e Estados Unidos são obrigados a receber junto mais containeres cheios de puro lixo: monitores e CPUs que não funcionam e não servem para mais nada.

O resultado é que esse lixo é descartado em depósitos e são destruído por trabalhadores e crianças em busca de metais que possam ser vendidos e, assim, liberam grande quantidade de mercúrio, cádmio, cobre, chumbo e alumínio, que podem contaminar o solo, lençóis freáticos e prejudicar a saúde.

Não sabe mais o que fazer com seu lixo? É fácil!! Envie para os países pobres e o problema está resolvido.

O desejo pode destruir o homem. É ele que nos separa entre inferiores e superiores. Ricos e pobres, frustrados e frustrados, pois mesmo quando o objeto de desejo é conquistado, o sentimento de vazio continua.

Somos tão vítimas de um marketing grotesco e anti-ético que desejamos desesperadamente. Desejamos ser bem-sucedidos, bonitos, ricos, atualizados, bem equipados e globais. Mas acabamos esquecendo de que nossas necessidades básicas não estão sendo supridas: Liberdade, Saúde, Paz? Essas coisas não vemos nos comerciais da TV.

O índio, quando não conhecia as maravilhas do homem branco, era um índio. Mas quando passou a conhecer e a desejar, tornou-se um miserável.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Governo anuncia novas medidas contra o desmatamento


Lançamento do Fundo Amazônia, acordo para limitar o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal e anúncio de novas concessões de florestas públicas fazem parte de pacote do governo para tentar consolidar a diminuição do desmatamento registrada em junho.

RIO DE JANEIRO – Embalado pela notícia de que o ritmo do desmatamento da Amazônia caiu 20% em junho, o governo federal aposta na efetivação de um pacote de medidas para iniciar uma nova fase de contenção da devastação da floresta. Na sexta-feira (1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) lançaram no Rio de Janeiro o Fundo Amazônia, que contará com doações nacionais e estrangeiras para projetos de combate ao desmatamento e pretende arrecadar US$ 1 bilhão ainda este ano. Na véspera, o governo havia anunciado a meta de conceder até o fim do ano que vem 16 novas áreas de floresta pública para exploração privada em moldes sustentáveis.


Outro ponto da agenda positiva que deve ser trabalhada por Lula nos próximos dias é o fechamento de um acordo entre os ministérios da Agricultura e de Meio Ambiente sobre o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia. Reunidos na segunda-feira (4) em Brasília, os ministros Minc e Reinhold Stephanes decidiram que não haverá novas áreas de plantio de cana na Amazônia Legal, com exceção das três áreas onde já existem usinas instaladas (uma no Pará, uma no Amazonas e uma no Acre), que continuarão a existir.

Pressionado pela bancada ruralista no Congresso, Stephanes defendia o plantio de cana nas savanas de Roraima, mas foi convencido por Minc a excluir esse ponto do acordo. Os dois ministros também decidiram que não serão permitidos novos plantios de cana em outro bioma ameaçado, o Pantanal, onde somente as áreas consolidadas há mais de dez anos serão mantidas: “Estamos preservando, com esse acordo, a Amazônia e o Pantanal, não quebrando a produção já existente e colocando restrições que vão fazer com que ela tenha de se adequar à defesa do bioma, e não o contrário”, disse o ministro do Meio Ambiente após o encontro.

O Fundo Amazônia foi lançado na sede do BNDES, instituição que será responsável por gerir os recursos arrecadados e acompanhar os projetos. O fundo poderá receber doações nacionais e internacionais, exceto do poder público brasileiro, e já conta com uma doação inicial de US$ 100 milhões, feita pela Noruega. O governo espera em breve anunciar outras doações, vindas de países como Alemanha e Suíça, entre outros: “Esperamos captar US$ 1 bilhão ainda em 2007. Acreditamos que o Fundo Amazônia tem potencial para captar US$ 21 bilhões até 2021”, disse Minc.

A coordenação da aplicação dos recursos do Fundo Amazônia caberá ao Ministério do Meio Ambiente, que comandará um Conselho Tripartite composto pelo governo federal (MMA e Secretaria de Assuntos Estratégicos), pelos governos dos estados da Amazônia Legal e por representantes da sociedade civil, incluindo organizações não-governamentais, povos indígenas, trabalhadores rurais, indústria e academia. As decisões do conselho deverão ser tomadas por consenso.

Os recursos que o fundo poderá agregar terão uma limitação, que será estabelecida a partir de um cálculo feito sobre a média do desmatamento dos últimos dez anos e as emissões de carbono geradas a partir da devastação provocada. Essa média será atestada pelo CTFA (Comitê Técnico do Fundo Amazônia). Se o desmatamento cair, o fundo poderá ampliar seu teto de captação, fato que baseia o otimismo do governo em conseguir novos recursos.

“Passo importante”

Em seu discurso durante o lançamento do Plano Amazônia, Lula disse que o Brasil “vai falar grosso” para conter o desmatamento na 20Amazônia e garantir sua soberania sobre a região: “O Brasil vai assumir, sim, sua responsabilidade de cuidar da Amazônia e controlar as emissões provenientes do desmatamento. Sabemos e devemos cuidar da Amazônia. E cuidar da Amazônia é bom para a economia do país também”, disse o presidente.

Presente à cerimônia de lançamento no BNDES, o diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado, afirmou que a criação do Fundo Amazônia “é um passo importante para assegurar os recursos necessários para combater o desmatamento, valorizar a floresta e a defesa do patrimônio biológico da região”.

Furtado ressaltou a necessidade de o fundo obter também recursos nacionais, já que a economia brasileira depende da Amazônia: “Além disso, é preciso assegurar que haverá vontade política forte para transformar esses recursos em ações efetivas tanto de comando e controle quanto de promoção de atividades florestais responsáveis”, disse o ambientalista.

Concessão de florestas

Na quinta-feira (31), o ministro Carlos Minc anunciou a intenção do governo de conceder 16 novas áreas de floresta pública para a exploração privada visando à extração sustentável de madeira certificada. Somente no ano que vem, de acordo com o plano de outorga do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), o governo pretende conceder para exploração quatro milhões de hectares de florestas públicas nos estados de Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e Acre.

Segundo o SFB, outros oito milhões de hectares já foram identificados como passíveis de licitação, mas a concessão dessas áreas só deve ocorrer a partir de 2010. Há ainda, segundo o governo, outros 42,8 milhões de hectares aptos para futuras concessões à iniciativa privada. Até o momento, apenas um processo de licitação para concessão de florestas públicas - destinado à exploração da Floresta Nacional do Jamari - foi concluído.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Comissão de Agricultura e Pecuária aprova isenção de ITR para imóveis rurais ecológicos e orgânicos

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) para os imóveis rurais que explorem a agricultura ecológica ou orgânica. Também serão contemplados com a medida as médias propriedades exploradas por meio da diversidade de culturas e criatórios e os imóveis em áreas desflorestadas da Amazônia Legal que atendam à função social da propriedade.
O Projeto de Lei 2832/08, do deputado Beto Faro (PT-PA), que trata do assunto, altera a Lei 9.393/96 e recebeu parecer favorável do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP). Para o relator, a iniciativa é oportuna, pois, mais do que um estímulo à produção, seria um prêmio para "aqueles que utilizam sistemas agropecuários menos agressivos ao meio ambiente".
Proteção ambiental
O deputado ressaltou que, além da produtividade e da competitividade econômica, "qualquer sistema de produção deve primar pela proteção ambiental e o respeito aos direitos trabalhistas", além da qualidade de vida para as populações urbanas e rurais. Em sua opinião, apesar das controvérsias existentes, todos os setores envolvidos têm interesse em chegar a um equilíbrio entre produção e proteção ambiental, "ou seja, a uma produção sustentável, com o mínimo de impacto ambiental." Nogueira lembrou que a produção orgânica é uma alternativa que a cada ano ganha maior número de adeptos entre os agricultores de todo o País.
Função social
O relator também destacou que, anteriormente, o principal objetivo do ITR era desestimular a manutenção de propriedades agrárias improdutivas, que não cumpriam a sua função social, medida por meio de requisitos que devem ser cumpridos segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei. A Constituição estabelece que a função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, aos seguintes critérios: aproveitamento racional e adequado; utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; observância das disposições que regulam as relações de trabalho; e exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Modificação sugerida
Para Duarte Nogueira, é meritória a iniciativa de querer incentivar o cumprimento da função social da terra nos imóveis localizados em áreas devastadas da Amazônia Legal. O relator disse acreditar "ser difícil para a Secretaria da Receita Federal verificar a veracidade das informações sobre o cumprimento da função social no imóvel rural". Por esse motivo, ele sugeriu uma modificação no texto original do projeto para que a exigência seja cumprida. Com a alteração, é proposta a isenção do ITR para aqueles que comprovarem sua regularidade ambiental, mediante a apresentação de documento expedido pelo órgão estadual competente.
COMENTÁRIO: Esse projeto ainda tramita no congresso cem caráter conclusivo, mas ainda será analisada por algumas comissões.
A isenção do ITR para quem produz em sistemas menos agressivos ao meio ambiente nada mais é do que um reconhecimento pelo esforço que estes produtores fazem para preservar o meio ambiente... e além disso, são um dos grandes responsáveis pela produção de água de boa qualidade, que nós um dia iremos tomar... Para se ter uma visão mais justa destes produtores orgânicos, eles também são produtores de água!
A isenção do ITR é importante também porque os produtores orgânicos têm custos com a certificação orgânica, um custo que os produtores convencionais, que utilizam grande quantidade de agrotóxicos ou fertilizantes químicos não têm. Não acho justo que isso aconteça pois quem prejudica o meio ambiente com agrotóxicos e produtos químicos é que deveriam estar arcando com os custos ambientais...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Conferência pede transformação da estrutura agrária

Documento final da 1ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, realizada em Olinda (PE), pede a adoção de um modelo que garanta a soberania alimentar, seja ambientalmente sustentável e produza inclusão social e melhor distribuição de renda no campo.

Por Maurício Thuswohl

OLINDA – Os quase dois mil delegados de todo o país que se reuniram durante quatro dias em Olinda (PE) para discutir novas políticas públicas para o Brasil rural aprovaram na noite de sábado (28) o documento final da 1ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS). O texto traz uma série de propostas que apontam para a transformação da estrutura agrária brasileira e para a adoção de um modelo que, além de garantir a soberania alimentar da população, seja ambientalmente sustentável e produza inclusão social e melhor distribuição de renda no campo.
A expectativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) é de que as propostas aprovadas na 1ª CNDRSS possam servir de base para a construção de políticas públicas que englobem outros setores do governo. A criação dos programas Territórios da Cidadania (lançado em fevereiro) e Mais Alimentos (que será lançado no dia 3 de julho) fez com que a conferência acontecesse num clima de confiança em relação às políticas desenvolvidas pelo governo federal para promover a variação da produção e uma maior geração de renda para a agricultura familiar.
O ministro Guilherme Cassel avaliou positivamente o encontro: “A 1ª CNDRSS foi uma conferência madura. Ela foi capaz de fazer um balanço crítico, de abrir caminhos, de trazer propostas. Ela se posicionou de forma muito clara a favor da reforma agrária e por uma outra estrutura fundiária. Ela se posicionou de forma muito clara contra a monocultura e contra os organismos geneticamente modificados. Ela se colocou de forma muito objetiva por um outro padrão de desenvolvimento, onde a agricultura familiar e sustentável e a reforma agrária têm papel fundamental, pois são capazes de produzir alimentos de qualidade para toda a sociedade brasileira”, disse.
A 1ª CNDRSS teve alguns temas que causaram polêmica e dividiram as opiniões dos trabalhadores rurais, como a produção de alimentos transgênicos, a proibição do desmatamento no Cerrado e a entrada de proprietários estrangeiros em áreas de reserva ambiental brasileiras. No entanto, a busca pelo consenso deu a tônica dos debates travados em Olinda: “A conferência foi afirmativa e construiu unidade política e programática para continuarmos avançando na luta por um país com reforma agrária e com uma agricultura familiar forte. A gente deixou pra trás muita picuinha, muita divergência pequena que nos separava. Hoje, todos os movimentos sociais estão aqui. Eles estão junto com o governo, a gente conversa de igual para igual e constrói políticas públicas junto”, disse Cassel.
Inclusão
A aliança com os agricultores familiares pode se fortalecer ainda mais se o governo acertar a mão em programas como o Territórios da Cidadania. Lançado em fevereiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esse programa começa a manejar no segundo semestre investimentos que chegam a R$ 12,9 bilhões. Os recursos serão repartidos em 170 ações afirmativas que beneficiarão, segundo os dados divulgados pelo MDA, dois milhões de famílias nos 60 territórios espalhados pelo Brasil. A fase de elaboração do Territórios da Cidadania contou com cerca de 200 eventos em todo o país, reunindo mais de 14 mil pessoas, entre representantes dos movimentos sociais, do empresariado e do poder público.
Outro trunfo do governo para promover o avanço da agricultura familiar brasileira é o programa Mais Alimentos, que será lançado oficialmente por Lula na próxima quinta-feira (3) em Brasília. O presidente aposta nesse programa como uma arma eficaz para combater o aumento do preço dos alimentos e ampliar a oferta em todo o país por meio do aumento da produção e da produtividade da agricultura familiar. Segundo o MDA, o programa Mais Alimentos pretende beneficiar um milhão de produtores rurais até 2010 e, para tanto, disponibilizará uma linha de crédito de até R$ 100 mil por produtor.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Governador defende produção de energia eólica no Nordeste




O governador Eduardo Campos participou, na manhã de ontem, em Fortaleza, do “Diálogo sobre Energia Eólica”, na sede do Banco do Nordeste do Brasil - BNB, e garantiu o apoio político necessário para levar a questão ao Ministério das Minas e Energia, e ao Presidente Lula.
O encontro teve por finalidade discutir os meios para fomentar a produção de energia eólica no Brasil, em especial no Nordeste, e Pernambuco entra no debate no momento em que se lança como pólo de geração de energia na região. Além da Refinaria Abreu e Lima - já em obras -, o Estado se prepara para ganhar sua primeira fábrica de aerogeradores no próximo mês: A Impsa Energy Power produzirá 200 equipamentos de geração eólica por ano, suprindo os mercados nacional e regional. Será a primeira empresa do gênero no Brasil, fruto de um investimento superior a R$ 143 milhões e vai gerar 1.500 empregos diretos, quando estiver em pleno funcionamento, previsto para o ano que vem.
Além da empresa argentina, a espanhola Gonvarri mantém entendimentos com o Governo do Estado para a implantação de sua primeira unidade do Nordeste, mais precisamente no Porto de Suape. Siderúrgica especializada na construção de torres eólicas, a Gonvarri possui cinco plantas industriais no País.
O investimento para a instalação de sua primeira unidade no Nordeste seria de aproximadamente R$ 60 milhões. A fábrica ocuparia uma área de 15 hectares e geraria 200 empregos diretos. O grupo pretende lançar sua primeira torre em fevereiro de 2009. O governador pernambucano defendeu a realização de leilões regulares e programados desse tipo de energia limpa, para que o governo brasileiro garanta a compra da energia produzida junto às empresas do setor. "Se não fizermos assim, não vamos ter o impacto que esperamos que ocorra na indústria desses equipamentos”, previu Eduardo Campos.
Carga Tributária - O Governador ainda criticou a carga tributária que incide sobre as indústrias brasileiras desse segmento: “Nós temos um desequilíbrio tributário entre os equipamentos que vêm de fora e os que são feitos aqui. Não é justo que o produto nacional chegue ao empreendedor 37% mais caro por conta da carga tributária. Isso é inaceitável. Esta é uma enorme oportunidade que temos de gerar energia limpa, empregos e, principalmente, gerar alternativa para uma indústria que é a que mais cresce no mundo: a dos equipamentos para energia eólica, que se expande até seis vezes mais do que outros equipamentos do setor elétrico”.
A energia eólica é considerada a energia mais limpa do planeta. Aproveita-se a força dos ventos para gerar eletricidade. Por isso, as usinas eólicas são instaladas em locais que garantam fortes ventos o ano todo. Mais do que uma opção energética, a eólica é uma alternativa estratégica para ampliar a segurança de fornecimento de eletricidade ao mercado nacional.
De acordo com o Atlas Eólico Brasileiro, o Nordeste tem 52% de todo o potencial de geração eólica do País (aproximadamente 75GW), o que equivale a seis vezes a produção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior do País.
Também participaram do "Diálogo sobre Energia Eólica", o presidente do BNB, Roberto Smith, o superintendente da Sudene, Paulo Fontana, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, Luciano Coutinho, e representantes da Associação Brasileira de Energia Eólica - ABEE, além de outros governadores do Nordeste a exemplo de Jacques Wagner (BA), Marcelo Deda (SE) e Wellington Dias (PI).



Matéria retirada do Diário Oficial

domingo, 15 de junho de 2008

A natureza não é muda


Por EDUARDO GALEANO

O Equador está discutindo uma nova Constituição. Entre as propostas, abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história, os direitos da natureza. Parece loucura querer que a natureza tenha direitos. Em compensação, parece normal que as grandes empresas dos EUA desfrutem de direitos humanos, conforme foi aprovado pela Suprema Corte, em 1886.





O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, derretem os pólos, o ar torna-se irrespirável e a água imprestável, plastificam-se as flores e a comida, e o céu e a terra ficam completamente loucos.

E, enquanto tudo isto acontece, um país latino-americano, o Equador, está discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.

A natureza tem muito a dizer, e já vai sendo hora de que nós, seus filhos, paremos de nos fingir de surdos. E talvez até Deus escute o chamado que soa saindo deste país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento, que ele esqueceu nas instruções que nos deu lá do monte Sinai: "Amarás a natureza, da qual fazes parte".

Um objeto que quer ser sujeito
Durante milhares de anos, quase todo o mundo teve direito de não ter direitos.

Nos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se reconhece, agora, o direito a tê-los; e isso é bastante mais do que um gesto de caridade dos senhores do mundo para consolo dos seus servos.

E a natureza? De certo modo, pode-se dizer que os direitos humanos abrangem a natureza, porque ela não é um cartão postal para ser olhado desde fora; mas bem sabe a natureza que até as melhores leis humanas tratam-na como objeto de propriedade, e nunca como sujeito de direito.

Reduzida a uma mera fonte de recursos naturais e bons negócios, ela pode ser legalmente maltratada, e até exterminada, sem que suas queixas sejam escutadas e sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade dos criminosos. No máximo, no melhor dos casos, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou menos simbólica, e isso sempre depois que o mal já foi feito, mas as leis não evitam nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.

Parece estranho, não é? Isto de que a natureza tenha direitos... Uma loucura. Como se a natureza fosse pessoa! Em compensação, parece muito normal que as grandes empresas dos Estados Unidos desfrutem de direitos humanos. Em 1886, a Suprema Corte dos Estados Unidos, modelo da justiça universal, estendeu os direitos humanos às corporações privadas. A lei reconheceu para elas os mesmos direitos das pessoas: direito à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as empresas respirassem. Mais de 120 anos já se passaram e assim continua sendo. Ninguém fica estranhado com isso.

Gritos e sussurros
Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da natureza à nova Constituição do Equador.

Este país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar apenas um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira Texaco vomitou impunemente 18 bilhões de galões de veneno sobre terras, rios e pessoas. Uma vez cumprida esta obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a empresa nascida no Texas celebrou seu casamento com a Standard Oil. Nessa época, a Standard Oil, de Rockefeller, havia passado a se chamar Chevron e era dirigida por Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca, enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.

Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e outras empresas não são a única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que se tenta levar adiante. Além disso, e não é o menos importante, a reivindicação da natureza faz parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda a América. Visa a que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar os ciclos vitais naturais, e não é por acaso que a Assembléia Constituinte começou por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do sumak kausai. Isso significa, em língua quechua, vida harmoniosa: harmonia entre nós e harmonia com a natureza, que nos gera, nos alimenta e nos abriga e que tem vida própria, e valores próprios, para além de nós.

Essas tradições continuam miraculosamente vivas, apesar da pesada herança do racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a memória. E não são patrimônio apenas da sua numerosa população indígena, que soube perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem a todo o país, e ao mundo inteiro, estas vozes do passado que ajudam a adivinhar outro futuro possível.

Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com penas de açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda a América, e no mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divorcio obrigatório.

Publicado originalmente no semanário Brecha, do Uruguai.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Jovens usam a arte para estudar o Rio Capibaribe


Alunos de três escolas do Recife participam, pela primeira vez no Brasil, do Rivers of the World (Rios do Mundo), projeto internacional de educação artística e pesquisa da Prefeitura de Londres (Inglaterra) e do Thames Festival, em parceria com o British Council. Na tarde de ontem, o Colégio Boa Viagem, uma das unidades de ensino que integram o projeto, realizou uma intervenção urbana no Centro da capital.
Com o tema Rio da Vida, referindo-se ao Capibaribe, e a consultoria dos artistas plásticos Diogo Todé e Gustavo Távora, os alunos montaram a intervenção na Ponte Maurício de Nassau. Três manequins com varas representaram pescadores. Na ponta da linha, a palavra “Vida” formada por garrafas PET.
Vinte e cinco estudantes da 8ª série do ensino fundamental e do 1º ano do ensino médio do colégio participaram do projeto. De acordo com a professora Gleide Silveira, além de montar a intervenção urbana, os alunos fizeram pesquisas sobre o Capibaribe e visitaram a nascente do rio, que fica na cidade de Poção, no Agreste do Estado.
A estudante Maria Helena Saunders, 15 anos, disse ter aprendido bastante durante os dois meses em que o grupo trabalhou no projeto. “Todos se envolveram bastante com a importância do Rio Capibaribe”, destacou. Hoje, as outras duas unidades de ensino – Escola Estadual Maciel Pinheiro e Colégio Damas – montam seus projetos também no Centro. As intervenções estão sendo fotografadas e as imagens serão utilizadas em uma exposição em Londres.
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